Galaxy Rain | May I hold you?

sábado, 1 de outubro de 2016


Ayo! Então, eu escrevi um texto. Mil setecentas e poucas palavras. Era pra esse texto ter sido pro Setembro Amarelo, mas eu não consegui terminá-los a tempo porque a cada parágrafo que eu escrevia eu chorava uns quinze litros. Eu realmente botei todo o meu coração nesse texto. De verdade, tudo que eu tenho sentido ultimamente e tudo que eu gostaria que os outros notassem em mim, e coisas que eu gostaria que eles fizessem por mim. 

O texto é baseado na música May I do Trading Yesterday e não é um texto em primeira pessoa; é uma narração em terceira pessoa sobre meus três personagens originais: Amy, Thomas e Eric. Eles são melhores amigos/almas gêmeas (não tem nada de romântico entre eles, okay?), e eu escrevo capítulos soltos a respeito deles que eu não sei bem como organizar em uma história, então eu digo que eles são como personagens de crônicas, uma compilação que chamo de Galaxy Rain (explicarei o motivo num futuro texto deles). Rápido background: Amy é (descaradamente) baseada em mim mesma, embora ela seja muito mais legal. Thomas é um bailarino, e um bobalhão. Eric é como uma mãe, sempre cuidando dos outros. Se estiver interessado no visual deles, aqui está (na melhor versão 'acabei-de-acordar' dele) ♥

Espero que leiam o texto com cuidado e entendam o que eu quis passar...? Aproveitem! 

"Posso te abraçar?
Quando você cair no sono,
Quando o mundo estiver se fechando
E você não puder respirar
Posso te amar?"

Amy se consolava pensando que nenhum dia era ruim, porque algum modo, todos eram. Alguns dias seus problemas eram maiores, e em outros eram tão imperceptíveis que dava a impressão de que havia sido um “bom dia”. Ela deitou-se na cama pensando nisso, e uma voz no fundo da sua cabeça a mandava parar de de ser dramática e ir fazer o que ela deveria fazer, mas Amy focou apenas no peso em suas pálpebras, na vontade de dormir por cem anos e acordar quando não houvesse nenhum empecilho em sua vida, como fez a Bela Adormecida.

Assim que Amy fecha os olhos, começa a cair no sono. Era tão fácil adormecer em momento inoportunos como aquele, e tão difícil acalmar seu cérebro o bastante para dormir quando ela deveria dormir.

Sentiu fome e contemplou por dez minutos se conseguiria levantar e ir para a cozinha. Decidiu que não. 

Ela ouve a chave na porta da frente tintilando, e o som leve dos passos de alguém que andava leve e graciosamente. A cabeça loura platinada de Thomas apareceu na brecha da porta, seus olhos brilhando em divertimento, como sempre era quando se tratava dele.

Ele entrou e jogou um pacote para Amy, que aterrissou em sua barriga. A embalagem cor de rosa e com fontes bonitinhas do salgadinho de polvo coreano - seu preferido - fez a garota sorrir. 

“Eu sei que você ficou sem ânimo pra levantar e buscar comida.” Thomas diz com um leve tom de preocupação.

“Finalmente você usou a cópia da chave que eu te dei pra algo útil.” Amy brinca, sorrindo largamente agora.

“O Eric já tá vindo.” Thomas informa, passando o polegar pela tela de seu celular, procurando algo. 

Uma música suave e lenta começa a tocar do aparelho e Amy a identifica como a música da apresentação de balé moderno de Thomas para a mostra artística da escola. Amy tinha meia dúzia de pinturas para expor no evento mas na noite anterior, num surto, arruinou todas elas. Não pareciam boas o suficiente, como tudo que ela fazia ultimamente. Os quadros destruídos estavam amontoados no canto do quarto, e se Thomas os percebeu, não comentou.

Na metade da música, outro tintilar de chaves e outros passos, não tão suaves quanto os de um bailarino, aproximam-se do quarto. Eric entra, arrumando o cabelo em corte chanel atrás da orelha e sorrindo como uma mãe ao sentar-se ao lado de Thomas na cama de Amy.

“Essa música é linda.” Eric fala lentamente, cauteloso.

“É.” Amy apenas concorda.

“Normalmente você começaria uma dissertação sobre Trading Yesterday, que você conheceu a música com sua amiga do 7° ano e que a letra é 200% você.” Thomas fala tudo rápido, nervoso. Eric lança um olhar torto ao amigo.

“A banda que eu conheci no 7º ano pela minha amiga era Sleeping With Sirens” Amy corrigiu, apenas para despreocupar os amigos. Mas ele sabiam melhor.

“O ponto é” Eric continua “O que tá acontecendo?”

“Não tem nada acontecendo.” Amy dá de ombros. 

“Amy.”

“Você nem comeu.”

Amy olha para baixo, dando-se conta de que o pacote de salgadinhos continuava intacto pousado em seu abdômen.

“Eu não…” a garota pausa, tentando formular as palavras de uma maneira que faça sentido. “Eu não tô com fome.”

Seu estômago ronca alto, traindo sua resposta perfeita. Thomas e Eric levantam as sobrancelhas. 

“Eu só não tô afim de comer” ela se vira na cama, evitando fazer contato visual com os amigos.

“Amy, é hora do almoço, você tem que comer pelo menos alguma coisa. Você nem comeu no intervalo também.” Eric a cutuca no tornozelo. A ação, por motivos que não fazem sentido nem na cabeça conturbada de Amy, a irrita profundamente. Ela se enfia ainda mais nos lençóis. “Amy, por que você não quer comer?”

“Você não precisa de dieta, meu amor. Já falamos sobre isso.” Thomas fala, calmamente com uma mãe explicando algo a uma criança.

“Não é isso.”

“Então o que é?”

Amy senta-se na cama em um flash. E explode. 

“Eu não sei!” ela grita, sentindo aquela sensação horrível, a raiva incontrolável, motivada por um motivo supérfluo. O arrepio subindo pelos seus braços, o sangue fervendo em suas veias, a vontade imensa de gritar e quebrar algo. Ela odiava aquilo. E isso só a deixava com mais raiva ainda e tudo ia se acumulando numa enorme bola de neve de irritação. “Por que eu tenho que saber de tudo? Por que eu não sei de nada, por que eu sou tão inútil que eu não sei nem porque eu não quero sair da minha cama? Eu não sei! EU NÃO SEI! EU NÃO SEI, EU NÃO SEI!”

Em algum momento, as lágrimas caíram, e Amy sentiu vergonha. Ela enfia o rosto nas mãos, tremendo e murmurando as coisas que o diabinho no fundo da sua mente dizia a ela.



Você é inútil. 



Você nunca faz nada direito, não é? 


Pronto, agora você pagou de louca.

Eles vão te odiar agora. Eles vão fugir de você. Assim como todos os outros.

Mas bem, você estaria fazendo um favor para eles, né? 


Ela já não controlava as lágrimas e sentia tanta, tanta vergonha. Não ousou levantar o rosto, que estava enterrado em suas mãos, para ver a reação dos garotos - sabia que haveriam olhares de nojo e medo vindo deles. Já tinha visto aquilo tantas vezes. Já tinha ouvido os sussurros, já tinha sentido os olhares. Mas não Thomas e Eric. Por favor, não eles.

Mas algumas coisa a convencia de que eles iriam embora, e Amy não os culpava. Inventariam qualquer desculpa e perderiam o contato com ela. De repente e eventualmente, agiriam como se nunca tivessem sido próximos, e Amy não poderia culpá-los. Ela faria o mesmo. Ninguém era obrigado a suportar uma bagunça como ela.

Amy já estava perdida, em transe nos seus pensamentos quando sentiu dedos calejados acariciando seu rosto, enxugando delicadamente os rastros de lágrimas. Eric focava em limpar seu rosto enquanto Thomas levou a mão aos cabelos curtos da garota, cuidadosamente acalmando-a. Pouco a pouco, o soluços e a respiração rápida de Amy começou a diminuir, até que o cômodo ficou em silêncio, interrompido apenas por algumas fungadas e o barulho do pacote de salgadinho sendo aberto. 

Cauteloso, Thomas alimentou Amy, parabenizando-a sempre que ela conseguia comer. Eric saiu brevemente e voltou com água. Eles não precisavam falar nada. Sabiam que se falassem, se insistissem que ela falasse, a crise apenas voltaria. Às vezes, palavras bonitas eram superestimadas. Então os dois garotos quietamente acalmaram Amy, a música suave ainda tocando ao fundo, no repeat.

“Obrigada.” Amy fala numa voz pequena. Ela havia precisado juntar toda a sua força para proferir a palavra. Não queria soar falsa. Queria mostrar o quão agradecida estava, mas simplesmente não sabia como pôr em palavras. Outro aspecto de sua personalidade que ela odiava.

Ela sentiu lágrimas formando-se em seus olhos novamente, mas Eric não as deixou cair, tomando o rosto de Amy entre as mãos e apertando suas bochechas.

“Escuta.” Eric começa, e as palavras que ele diz são tão simples, mas tão incrivelmente reconfortantes. “Eu te amo.”

“E eu também.” Thomas diz, pinçando uma das bochechas de Amy também.

“Você é incrível. Entendeu? Não era, nem pode ser. Você é. E nós te amamos.” 

Amy sente um aperto na garganta e o choro aproximando-se novamente. E é claro, eles percebem.

“Rápido, Tom, uma piada!”

“Aaaah” Thomas se atrapalha, sua habilidade em ser um bobo da corte falhando num momento crucial “O que um boi sensato nunca diria? Boibagem!”

“Isso foi um lixo.”

“Não me bota sob pressão!”

Eventualmente, Amy chora de novo. De rir. Thomas e Eric sorriem reconfortantes para ela, e ela sabe que vai ficar bem. Ela ainda sentia o coração vazio às vezes, e tudo que lhe faltava no peito subia para sua cabeça, formando uma bagunça completa. Mas agora ela tinha alguma perspectiva de que talvez, com aqueles meninos ao seu lado, ela ficaria bem.

Os três deitam-se abraçados, espremidos na pequena cama, conversando sobre coisas triviais. Amy adormece eventualmente, e se sente bem. No conforto honesto dos dois garotos que mais se importavam com ela, ela não se sente inútil. Finalmente, se sente certa.

"Posso ser seu protetor?
Quando ninguém puder ser encontrado,
Posso te deitar para dormir?"

Desculpa pela escrita ruim mas não desiste de mim. Also, desculpa pelo primeiro texto revelado dos meus OCs ser algo tão triste ;w;

Bye bye! ♥

5 comentários :

  1. Olá, aqui é o Kuroi, mensageiro do Onigiri quase Prédio

    Vim avisar que tem presentinho pra você no Onigiri! <3
    Beijos!
    http://onigiri-quase-predio.com

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  2. Heya! <3
    Primeiramente: Eu amei a música, ouvi ela enquanto lia o texto.
    E cara, você escreve muito bem! Por mais que nós sempre estejamos conversando sobre essas coisas, nunca tinha lido nada da sua autoria e simplesmente amei! <33
    Eu não sei muito o que posso falar, mas eu realmente gostei muito do texto ;v; parece meio estranho, mas eu conseguia ver você em cada parágrafo.
    Aliás, é impressão minha ou nós já passamos por uma situação parecida com essa? SDLAFKMF ♡

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    Respostas
    1. Já respondi seu comentário inteiro ao vivo mas vamo de novo SJKDSKJFD
      Aaaaa thank you ♥ Eu tenho um monte de fanfic publicada aí, procura Hannah Mila no google que tu acha -qqq
      Siiim, a Amy é descaradamente baseada em mim )o) Eu sempre tenho uma personagem dessas, porque eu gosto de me sentir no meio do universo em que estou escrevendo.

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